Eles estão crescendo…

Eles estão crescendo…

Na Catavento, a passagem do Berçário para o Maternal  acontece em torno dos dois anos, respeitando o ritmo de desenvolvimento de cada criança. Nessa fase, são muitas as conquistas dos pequenos: o desenvolvimento da linguagem oral, o domínio dos movimentos, a socialização, a autonomia para hábitos de higiene e alimentação…

Geralmente, é difícil para os pais lidarem com tantas mudanças e deixar de ver seus filhos como “bebês”. E é aí que entra a importante parceria com a escola.

Se a adaptação à nova turma é delicada para as crianças, muitas vezes é ainda mais delicada para os pais. Por isso, no dia 27 de janeiro, recebemos os novos pais do Maternal para um encontro, onde conversamos sobre essa fase tão especial do desenvolvimento e sobre as  mudanças na rotina.

A leitura do texto “A proteção que atrapalha”, de Rosely Sayão, provocou importantes reflexões, e o vídeo “O Curriculo High Scope”, com Lenira Haddad, ilustrou a apresentação sobre a metodologia e a rotina pedagógica da Catavento.

Foi um momento para trocar experiências, tirar dúvidas, compartilhar sentimentos e aprender!

Disponibilizamos neste post o texto, o link do vídeo e as fotos do encontro.

 

A PROTEÇÃO QUE ATRAPALHA

                                                             ROSELY SAYÃO

O que fazemos com o ambiente da criança? Amaciamos o chão, aliviamos os cantos, retiramos os obstáculos Muitas crianças com menos de seis anos vivem hoje, tanto em suas casas quanto nas escolas, em ambientes tão assépticos que se assemelham mais a hospitais do que a espaços habitados por gente sadia e plena de vida.

Aliás, pesquisadores já relacionaram o aumento de alergias entre crianças das classes média e alta, com a falta de exposição delas aos germes do ambiente natural. É a chamada “alergia do isolamento”.

Hoje, escolas que querem seduzir os pais de filhos que estão na primeira infância se esmeram para apresentar um ambiente que consideram chamativo: limpo e claro, areia tratada (isso quando há areia), sem muitos obstáculos, tampouco terra e água. O chão costuma ser macio e fofo -e para ser assim, precisa ser artificial. Fazem parte desse pacote a abundância de brinquedos de parque de plástico, muito coloridos.

Quando termina o período escolar, dá para se perguntar o que foi que a criança fez durante todo o tempo em que esteve na escola -já que muitas delas são entregues aos pais devidamente “higienizadas”. Até mesmo o discurso escolar acompanha esse clima: as crianças não mais escovam os dentes ou lavam as mãos: elas “fazem higiene”. Que coisa mais louca! Em casa, muitos pais até adotaram o costume oriental de deixar os sapatos à porta e só usar dentro de casa calçados destinados exclusivamente para esse fim. Apetrechos dos mais variados tipos são comprados já no enxoval do bebê que irá nascer, para esterilizar tudo o que ele usa. O problema é que isso se estende por mais de um ano, quando a criança já engatinha, anda e faz a exploração dos espaços. E isso costuma ser a melhor justificativa para tantos cuidados: afinal, nessa fase a criança adora conhecer as coisas pela boca, não é verdade?E como permitir que ela leve para a boca as sujeiras do ambiente?

Quando foi que esquecemos que criança combina com terra, água, vento e fogo? O contato, o conhecimento e a exploração desses quatro elementos é muito importante para que ela crie um vínculo com a natureza, explore-a e aprenda, com essa relação, um pouco mais sobre si mesma e sobre seu corpo. Mexer na areia e lambuzar-se com ela, brincar com a água e a terra, fazer barro e sentir sua consistência, experimentar seu sabor -por que não? Tomar banho de mangueira, sujar-se toda aos olhos dos adultos: tudo isso é possível ainda para a criança, mesmo nesse estilo de vida urbano que adotamos. Mas, parece que escolhemos consumir um determinado tipo de cuidado com a saúde que não combina com nada disso, não é verdade? E o que fazemos, então, com o ambiente em que a criança vive? Retiramos todo tipo de perigo possível: arredondamos os cantos, suprimimos as quinas, amaciamos o chão, retiramos os obstáculos como escadas e aclives ou declives pronunciados e outras coisas mais estranhas ainda.

Tudo para evitar que a criança corra algum risco. Até os brinquedos, agora, precisam ser adaptados à idade da criança! Mas é bom saber que o tiro pode sair pela culatra. Começar a viver em ambientes tão diferentes da realidade apenas tolhe a vida da criança, limita as suas possibilidades de aprender sobre seu corpo e de explorar o meio em que vive. Isso também desestimula sua curiosidade e não a prepara para reconhecer riscos e saber quais podem ser enfrentados e quais devem ser evitados.

Não é à toa que temos tantas crianças que se machucam em situações que elas já deveriam controlar. É bem significativo o número de acidentes com crianças grandes que caem, quebram ossos, levam pontos etc. Elas pouco ou quase nada sabem a respeito do relacionamento delas com o ambiente em que vivem. Também, depois de elas viverem tanto tempo enclausuradas em um mundo almofadado e asséptico, tal resultado não é nada espantoso.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?” (Publifolha)  

  

 O Curriculo High Scope: https://www.youtube.com/watch?v=uMQ2XjE-oko

 

 

2016-02-18T15:15:17+00:00 18 de fevereiro de 2016|Categories: Ed. Inf., Reunião de Pais|