{"id":8179,"date":"2015-05-13T15:38:55","date_gmt":"2015-05-13T15:38:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.espacocatavento.com.br\/?p=8179"},"modified":"2015-05-13T15:38:55","modified_gmt":"2015-05-13T15:38:55","slug":"espacos-abertos-ed-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/espacos-abertos-ed-infantil\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7os Abertos Ed Infantil"},"content":{"rendered":"<p>No m\u00eas de abril, tivemos os Espa\u00e7os Abertos dos Grupos de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Nessa\u00a0Reuni\u00e3o de Pais, temos como objetivo aprofundar as rotinas e a proposta pedag\u00f3gica da Catavento, al\u00e9m de trazer alguns temas de interesse de cada grupo para reflex\u00e3o.<\/p>\n<p><em>&#8220;Tia Bruna e equipe, a reuni\u00e3o foi \u00f3tima! Parab\u00e9ns pelo trabalho.&#8221;<\/em> (Paola, m\u00e3e do Mateus Lohmann do Maternal)<\/p>\n<p><em>&#8220;Sempre muito bom acompanhar a rotina e o desenvolvimento deles.&#8221;\u00a0<\/em>(Julia, m\u00e3e da Lia Sinder do Maternal)<\/p>\n<p><em>&#8220;Marinez, gostei muito da reuni\u00e3o de 4a. f, percebi o quanto voc\u00ea capta a particularidade de cada aluno. Parab\u00e9ns a voc\u00ea e a Catavento.&#8221;\u00a0<\/em>(Juliana, m\u00e3e da Alexandra Moreira do Grupo 2)<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Marinez, gostei muito da reuni\u00e3o de 4a. f, percebi o quanto voc\u00ea capta a particularidade de cada aluno. Parab\u00e9ns a voc\u00ea e a Catavento.&#8221;\u00a0<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Juliana<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\">m\u00e3e da Alexandra Moreira do Grupo 2<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><em>&#8220;Infelizmente n\u00e3o consegui participar da reuni\u00e3o hoje, fiquei arrasada!!! As meninas est\u00e3o amando e Rog\u00e9rio, depois da reuni\u00e3o, mais apaixonado!!! Muito obrigada pelo carinho e toda dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 essas crian\u00e7as!!! A equipe \u00e9 realmente incr\u00edvel!! Obrigada.&#8221;\u00a0<\/em>(Marcella, m\u00e3e de Lara e Nina Dal Bello do Grupo 3)<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Muito obrigada pelo carinho e toda dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 essas crian\u00e7as!!! A equipe \u00e9 realmente incr\u00edvel!!&#8221;<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Marcella<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\">m\u00e3e de Lara e Nina Dal Bello do Grupo 3<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disponibilizamos abaixo os textos e links dos videos apresentados, alguns dos materiais trabalhados com as fam\u00edlias durantes os encontros.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong><em>\u201cA import\u00e2ncia dos limites\u201d \u2013 Maria Tereza Maldonado <\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?t=35&amp;v=LgYZ-xBoyHg\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?t=35&amp;v=LgYZ-xBoyHg<\/a><\/p>\n<p>&#8211; <strong><em>&#8220;High Scope&#8221; &#8211; Lenira Haddad: <\/em><\/strong><a title=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uMQ2XjE-oko\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uMQ2XjE-oko\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uMQ2XjE-oko<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ESPA\u00c7OS ABERTOS BER\u00c7\u00c1RIO &amp; MATERNAL<\/strong><\/p>\n<p><strong>A prote\u00e7\u00e3o que atrapalha<\/strong><\/p>\n<p>ROSELY SAY\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que fazemos com o ambiente da crian\u00e7a? Amaciamos o ch\u00e3o, aliviamos os cantos, retiramos os obst\u00e1culos Muitas crian\u00e7as com menos de seis anos vivem hoje, tanto em suas casas quanto nas escolas, em ambientes t\u00e3o ass\u00e9pticos que se assemelham mais a hospitais do que a espa\u00e7os habitados por gente sadia e plena de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, pesquisadores j\u00e1 relacionaram o aumento de alergias entre crian\u00e7as das classes m\u00e9dia e alta, com a falta de exposi\u00e7\u00e3o delas aos germes do ambiente natural. \u00c9 a chamada &#8220;alergia do isolamento&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, escolas que querem seduzir os pais de filhos que est\u00e3o na primeira inf\u00e2ncia se esmeram para apresentar um ambiente que consideram chamativo: limpo e claro, areia tratada (isso quando h\u00e1 areia), sem muitos obst\u00e1culos, tampouco terra e \u00e1gua. O ch\u00e3o costuma ser macio e fofo -e para ser assim, precisa ser artificial. Fazem parte desse pacote a abund\u00e2ncia de brinquedos de parque de pl\u00e1stico, muito coloridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando termina o per\u00edodo escolar, d\u00e1 para se perguntar o que foi que a crian\u00e7a fez durante todo o tempo em que esteve na escola -j\u00e1 que muitas delas s\u00e3o entregues aos pais devidamente &#8220;higienizadas&#8221;. At\u00e9 mesmo o discurso escolar acompanha esse clima: as crian\u00e7as n\u00e3o mais escovam os dentes ou lavam as m\u00e3os: elas &#8220;fazem higiene&#8221;. Que coisa mais louca! Em casa, muitos pais at\u00e9 adotaram o costume oriental de deixar os sapatos \u00e0 porta e s\u00f3 usar dentro de casa cal\u00e7ados destinados exclusivamente para esse fim. Apetrechos dos mais variados tipos s\u00e3o comprados j\u00e1 no enxoval do beb\u00ea que ir\u00e1 nascer, para esterilizar tudo o que ele usa. O problema \u00e9 que isso se estende por mais de um ano, quando a crian\u00e7a j\u00e1 engatinha, anda e faz a explora\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os. E isso costuma ser a melhor justificativa para tantos cuidados: afinal, nessa fase a crian\u00e7a adora conhecer as coisas pela boca, n\u00e3o \u00e9 verdade?E como permitir que ela leve para a boca as sujeiras do ambiente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando foi que esquecemos que crian\u00e7a combina com terra, \u00e1gua, vento e fogo? O contato, o conhecimento e a explora\u00e7\u00e3o desses quatro elementos \u00e9 muito importante para que ela crie um v\u00ednculo com a natureza, explore-a e aprenda, com essa rela\u00e7\u00e3o, um pouco mais sobre si mesma e sobre seu corpo. Mexer na areia e lambuzar-se com ela, brincar com a \u00e1gua e a terra, fazer barro e sentir sua consist\u00eancia, experimentar seu sabor -por que n\u00e3o? Tomar banho de mangueira, sujar-se toda aos olhos dos adultos: tudo isso \u00e9 poss\u00edvel ainda para a crian\u00e7a, mesmo nesse estilo de vida urbano que adotamos. Mas, parece que escolhemos consumir um determinado tipo de cuidado com a sa\u00fade que n\u00e3o combina com nada disso, n\u00e3o \u00e9 verdade? E o que fazemos, ent\u00e3o, com o ambiente em que a crian\u00e7a vive? Retiramos todo tipo de perigo poss\u00edvel: arredondamos os cantos, suprimimos as quinas, amaciamos o ch\u00e3o, retiramos os obst\u00e1culos como escadas e aclives ou declives pronunciados e outras coisas mais estranhas ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo para evitar que a crian\u00e7a corra algum risco. At\u00e9 os brinquedos, agora, precisam ser adaptados \u00e0 idade da crian\u00e7a! Mas \u00e9 bom saber que o tiro pode sair pela culatra. Come\u00e7ar a viver em ambientes t\u00e3o diferentes da realidade apenas tolhe a vida da crian\u00e7a, limita as suas possibilidades de aprender sobre seu corpo e de explorar o meio em que vive. Isso tamb\u00e9m desestimula sua curiosidade e n\u00e3o a prepara para reconhecer riscos e saber quais podem ser enfrentados e quais devem ser evitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que temos tantas crian\u00e7as que se machucam em situa\u00e7\u00f5es que elas j\u00e1 deveriam controlar. \u00c9 bem significativo o n\u00famero de acidentes com crian\u00e7as grandes que caem, quebram ossos, levam pontos etc. Elas pouco ou quase nada sabem a respeito do relacionamento delas com o ambiente em que vivem. Tamb\u00e9m, depois de elas viverem tanto tempo enclausuradas em um mundo almofadado e ass\u00e9ptico, tal resultado n\u00e3o \u00e9 nada espantoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>ROSELY SAY\u00c3O \u00e9 psic\u00f3loga e autora de &#8220;Como Educar Meu Filho?&#8221; (Publifolha)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ESPA\u00c7O ABERTO BER\u00c7\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Import\u00e2ncia dos Primeiros Tempos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros anos de vida s\u00e3o muito importantes para o desenvolvimento de toda a personalidade da crian\u00e7a e para a aquisi\u00e7\u00e3o das habilidades motoras, perceptivas, cognitivas, ling\u00fc\u00edsticas, sociais, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rec\u00e9m nascido chega ao mundo e j\u00e1 est\u00e1 cercado de <strong>cores, sons, formas e texturas<\/strong>. S\u00e3o est\u00edmulos por toda a parte: no m\u00f3bile colorido sobre o ber\u00e7o, no toque da roupa sobre a pele, na \u00e1gua do banho, no seio e na voz da m\u00e3e que o amamenta, no colo do pai que embala contando uma hist\u00f3ria, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas pesquisas mostram que essa profus\u00e3o de est\u00edmulos dos dias atuais torna as crian\u00e7as mais espertas, atentas, faladeiras, inteligentes. Essa diversidade de est\u00edmulos induz \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma arquitetura cerebral mais potente, com mais liga\u00e7\u00f5es entre os neur\u00f4nios \u2013 as sinapses. O per\u00edodo de maior forma\u00e7\u00e3o de sinapses vai at\u00e9 os 3 anos de idade. Assim, a l\u00f3gica \u00e9 simples: se o mundo estimula, as crian\u00e7as fazem mais sinapses. E, em maior n\u00famero, elas tornam o pensamento mais r\u00e1pido, afirmam os neuropediatras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos hoje, por comprova\u00e7\u00e3o da Ci\u00eancia, o que antes sempre se soube intuitivamente: experi\u00eancias positivas nos campos emocional, f\u00edsico e intelectual vividas pelos beb\u00eas em seus primeiros anos de vida s\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1rias para o adequado desenvolvimento de seu c\u00e9rebro quanto a boa alimenta\u00e7\u00e3o o \u00e9 para o adequado e saud\u00e1vel crescimento de seu corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias iniciais da vida dos beb\u00eas com o mundo externo, percebidas por seus sentidos \u2013 <strong>vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, olfato, tato e paladar \u2013 <\/strong>determinam a estrutura\u00e7\u00e3o de seu c\u00e9rebro, capacitando-o a criar ou modificar conex\u00f5es e a moldar, assim, a forma com aprender\u00e3o, pensar\u00e3o e se comportar\u00e3o para o resto de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crian\u00e7as <strong>deslocam-se, manipulam, experimentam, brincam sozinhas, brincam com os outros, comunicam-se <\/strong>e, assim, v\u00e3o construindo o pr\u00f3prio conhecimento e convertendo-se em seres sociais. Dessa forma, a a\u00e7\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o permitem-lhes conhecer a realidade, represent\u00e1-la, comunic\u00e1-la e modific\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A observa\u00e7\u00e3o, a experimenta\u00e7\u00e3o, a imita\u00e7\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o s\u00e3o b\u00e1sicas para chegar \u00e0 compreens\u00e3o e \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o da realidade. O beb\u00ea, a princ\u00edpio, conhece o que o rodeia por a\u00e7\u00f5es que realiza, depois atua com imagens e, finalmente, chega a outro sistema de representa\u00e7\u00e3o: a linguagem verbal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A intera\u00e7\u00e3o ativa da crian\u00e7a com o espa\u00e7o, com os outros e com os objetos permite-lhe conhecer a realidade e a pr\u00f3pria identidade. A crian\u00e7a se desloca, manipula, age. Movimento e a\u00e7\u00e3o s\u00e3o essenciais na rela\u00e7\u00e3o dos pequenos com os adultos e com seus iguais, com os objetos, com o espa\u00e7o e com o tempo. Movimento e a\u00e7\u00e3o s\u00e3o a base para a forma\u00e7\u00e3o da personalidade e incidem na forma de assimilar o mundo, represent\u00e1-lo e participar dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, pensamos que, no papel de pais, respons\u00e1veis ou professores de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, precisamos contribuir para propiciar melhor qualidade \u00e0s experi\u00eancias iniciais da vida dos beb\u00eas. E, para garantirmos esse espa\u00e7o, compartilhamos id\u00e9ias sobre alguns aspectos que nos parecem muito importantes e, frequentemente, parecem t\u00e3o \u00f3bvios e cotidianos que podem passar despercebidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sintetizando essas id\u00e9ias:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o basta amarmos as crian\u00e7as. O amor pode traduzir-se em gestos. Quando somos amorosos, calorosos, responsivos, propiciamos as \u201cconex\u00f5es seguras\u201d, a base de todas as futuras rela\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a. O toque (estimula a necess\u00e1ria libera\u00e7\u00e3o hormonal ao crescimento), a palavra, o sorriso e o canto afetam a maneira como o c\u00e9rebro da crian\u00e7a vai se \u201cconectar\u201d e ajuda, assim, a delinear o seu aprendizado e seus comportamentos posteriores.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">As crian\u00e7as muitas vezes n\u00e3o podem ou n\u00e3o utilizam palavras para demonstrar seus humores, prefer\u00eancias ou necessidades. Usam sons, modos de andar, express\u00f5es faciais e formas de olhar (ou o evitam) para demonstrar o que desejam. Devemos, portanto, responder \u00e0s \u201cdicas\u201d e aos sinais das crian\u00e7as na maior parte das situa\u00e7\u00f5es, pois elas se tornam mais seguramente \u201cligadas\u201d quando os adultos que cuidam dela tentam \u201cler\u201d esses sinais e respondem a eles com sensibilidade. A crian\u00e7a come\u00e7a a aprender e acreditar que, quando sorri, algu\u00e9m lhe sorrir\u00e1 de volta. Quando est\u00e1 aborrecida, algu\u00e9m a confortar\u00e1; quando faminta, algu\u00e9m a alimentar\u00e1. <strong>S\u00e3o as primeiras e, talvez, as mais importantes li\u00e7\u00f5es de sensibilidade e solidariedade com o mundo que a cerca.<\/strong><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Falar, ler e cantar <\/strong>sobre coisas que acontecem no dia-a-dia da crian\u00e7a, descrevendo-as, confere a ela s\u00f3lidas bases para aprendizados posteriores. Mesmo sem entender o significado das palavras, \u00e9 mediante essa \u201cconversa\u00e7\u00e3o\u201d que a capacidade da linguagem aparece. Quando o beb\u00ea ouve repetirem e repetirem as mesmas palavras, a regi\u00e3o do c\u00e9rebro que gerencia a fala e a linguagem se desenvolve. Quanto maior a conversa\u00e7\u00e3o, mais essa parte do c\u00e9rebro se desenvolve. Vale dizer, contar as mesmas hist\u00f3rias e cantar as mesmas m\u00fasicas vezes seguidas, todos os dias, pode ser chato para o adulto, mas n\u00e3o para a crian\u00e7a. Al\u00e9m de ela gostar, aprende pela repeti\u00e7\u00e3o. E isso n\u00e3o ocorre apenas com a linguagem.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Estabelecer <strong>rotinas e rituais<\/strong> \u00e9 importante. As rotinas associadas a sentimentos agrad\u00e1veis s\u00e3o tranq\u00fcilizadoras para as crian\u00e7as. Por exemplo, uma crian\u00e7a de 1 ano e meio sabe que \u00e9 hora da soneca porque sua m\u00e3e cantou <em>\u201cNana Nen\u00ea\u201d <\/em>e fechou as cortinas, o que ela sempre faz. Experi\u00eancias positivas repetidas, que formam fortes conex\u00f5es entre neur\u00f4nios, conferem \u00e0 crian\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, al\u00e9m de a fazerem aprender o que esperar de seu ambiente e como entender o mundo ao seu redor.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Permitir e estimular a <strong>explora\u00e7\u00e3o e as brincadeiras<\/strong>, e tamb\u00e9m ser receptivo quando a crian\u00e7a sentir necessidade de retornar aos seus limites para se sentir segura. <strong>Brincar \u00e9, sem d\u00favida, um real aprendizado de \u201cdar e receber\u201d, de negociar, de explora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo e do mundo f\u00edsico, de desenvolvimento de habilidades l\u00f3gico-verbais. Brincar \u00e9 essencial \u00e0 interatividade, \u00e0 criatividade e \u00e0 aprendizagem.<\/strong><\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Usar a disciplina como forma de ensinar. Conforme as crian\u00e7as crescem, seus horizontes e sua curiosidade a respeito do mundo se ampliam e surgem novas descobertas e experi\u00eancias que, algumas vezes, acarretam confus\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo de forma intensa. Nesse processo, elas necessitam de limites e supervis\u00e3o cuidadosa e amorosa. Estudos e pesquisas revelam que a forma como os adultos estabelecem essa disciplina \u00e9 crucial no desenvolvimento posterior da crian\u00e7a. Nossas crian\u00e7as s\u00e3o naturalmente impulsivas e, sem no\u00e7\u00e3o de perigo, ir\u00e3o machucar-se, cair ou gritar porque seu sentimento de frustra\u00e7\u00e3o e raiva por vezes excede a sua habilidade de controlar a si mesmas. Ensin\u00e1-la a ter autocontrole \u00e9 um longo processo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Reconhecer que o <strong>beb\u00ea \u00e9 \u00fanico. <\/strong>Crian\u00e7as t\u00eam diferentes temperamentos e diferentes velocidades de amadurecimento. Suas id\u00e9ias a respeito de si mesmas refletem, grosso modo, nossa atitude em rela\u00e7\u00e3o a elas. Quando superam os desafios do dia-a-dia, sentem-se bem consigo mesmas, e particularmente com o nosso reconhecimento e aprova\u00e7\u00e3o. Conseguem, dessa forma, enxergar a liga\u00e7\u00e3o entre as a\u00e7\u00f5es delas e a nossa resposta. Pais e professores que forem sens\u00edveis a esses sinais e dicas ter\u00e3o crian\u00e7as com auto-estima positiva.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Propiciar o atendimento de excel\u00eancia para educar as crian\u00e7as at\u00e9 3 anos \u00e9, ent\u00e3o, um dos primeiros passos das fam\u00edlias e das institui\u00e7\u00f5es que atendem a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Educar crian\u00e7as pequenas \u00e9 um dos mais importantes, maravilhosos e desafiadores trabalhos em nossa sociedade.<\/p>\n<p><em>Fonte:\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cENTRE FRALDAS, MAMADEIRAS, RISOS E CHOROS: POR UMA PR\u00c1TICA EDUCATIVA COM BEB\u00caS\u201d \u2013 Cleide V. M. Batista \u2013\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Londrina: Maxiprint \/ 2009<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ESPA\u00c7OS ABERTOS GRUPOS 1, 2 &amp; 3<\/strong><\/p>\n<p><strong>Que lindo seria se n\u00f3s pud\u00e9ssemos ensinar a nossas crian\u00e7as que \u00e9 preciso esperar&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Por Carolina Delboni<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crian\u00e7a n\u00e3o espera. Elas enlouquecem a gente at\u00e9 que cedemos e damos algo, literalmente, pra que fiquem quietas. Mas n\u00f3s adultos j\u00e1 aprendemos a esperar (e aprendemos quando crian\u00e7a). Hoje, nossa espera \u00e9 vivida. A deles \u00e9 com o iPad ou a TV na cara ligada \u2013 e com som ainda. Pais n\u00e3o sentam mais a mesa num restaurante sem que antes j\u00e1 liguem o desenho para a crian\u00e7a. Muitas vezes colocam o iPad dentro do prato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simbolicamente, est\u00e3o trocando os alimentos. Alimentar uma crian\u00e7a com comida \u00e9 aliment\u00e1-la com amor e de amor. Aliment\u00e1-la com imagens e sons de iPad \u00e9 aliment\u00e1-las de impaci\u00eancia, falta de respeito, falta de dialogo, falta de intera\u00e7\u00e3o e principalmente, falta de t\u00e9dio. Porque pode ser extremamente tedioso ficar a mesa \u201csem fazer nada\u201d esperando a comida chegar. Mas \u00e9 nessa espera que aprendemos a transformar t\u00e9dio em algo maior como a conversa com os pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente saiu uma entrevista muito interessante no R7 (que repercutiu pacas em sites e blogs), onde a m\u00e9dica fonoaudi\u00f3loga carioca Maria L\u00facia Novaes Menezes fala da quantidade assustadora de crian\u00e7as que t\u00eam recebido em seu consult\u00f3rio com a queixa de n\u00e3o se comunicarem por volta dos 2\/3 anos de idade. Ela diz que em 80% dos casos a crian\u00e7a simplesmente n\u00e3o fala porque n\u00e3o recebe est\u00edmulos dos pais. Porque n\u00e3o existe dialogo, n\u00e3o existe troca. Existem ipads nas mesas dos restaurantes e com isso crian\u00e7as que crescem mudas e sem a capacidade de aprender a esperar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparentemente, tentar agradar toda hora (ou muitas vezes temer o pr\u00f3prio filho) \u00e9 o primeiro passo pra rejei\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tira dele a possiblidade de fazer ninhos, fazer la\u00e7os. A crian\u00e7a se isola primeiro dos pais e logo mais do restante da fam\u00edlia e at\u00e9 mesmo dos amigos. Ela perde, aos poucos, a capacidade de se relacionar e se comunicar. Acredite se quiser, tudo isso porque interrompemos o processo da espera. Porque estamos sempre ansiosos para preencher o tempo de nossos filhos e n\u00e3o deixa-los entediados. Etimologicamente, o verbo \u201cesperar\u201d vem de \u201cesperan\u00e7a\u201d que significa contar com, confiar em. Quando a crian\u00e7a espera e tem pais ao lado dela reafirmando a necessidade da espera, ela ganha confian\u00e7a. E um pouquinho de t\u00e9dio n\u00e3o mata ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ah, a espera\u2026. Que lindo seria se n\u00f3s pud\u00e9ssemos ensinar a nossas crian\u00e7as que \u00e9 preciso esperar as pessoas sa\u00edrem do elevador antes de n\u00f3s entrarmos, que \u00e9 preciso esperar os que est\u00e3o na nossa frente para chegar nossa vez, que \u00e9 preciso esperar todos terminarem na mesa para poder levantar, que \u00e9 preciso esperar crescer para ter o que se quer\u2026 Que \u00e9 preciso aprender a esperar para respeitar o pr\u00f3ximo, para convivermos, minimamente, melhor num mundo onde n\u00e3o existe mais o outro porque o \u201ceu\u201d \u00e9 t\u00e3o imediatista que se eu n\u00e3o suprir minhas vontades j\u00e1 eu morro. Da\u00ed ensinamos nossas crian\u00e7as que o outro n\u00e3o importa, que conseguimos f\u00e1cil e r\u00e1pido tudo que queremos com um gritar, com um chilique. Tiramos a espera e junto tiramos a possibilidade da conquista. Ganhar de m\u00e3o beijada n\u00e3o tem gra\u00e7a. Logo a crian\u00e7a encosta e pede outro e a insatisfa\u00e7\u00e3o vai crescer. E para suprir ser\u00e1 cada mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A espera gera expectativa do que est\u00e1 por vir. Espera gera respeito, gera no\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo, gera dialogo, gera est\u00edmulos, gera confian\u00e7a, gera amizades e, com certeza, gera um mundo melhor. Desculpem a frase feita, mas \u00e9 isso mesmo: crian\u00e7as que aprenderem a esperar v\u00e3o aprender a viver em sociedade e na sociedade. Como parte dela e n\u00e3o no centro dela. Requisito b\u00e1sico para um futuro que todos queremos.<\/p>\n<p><em>Carolina Delboni\u00a0Favoritar &#8211;\u00a0<\/em><em>Jornalista, diretora da small.co, gestora do SP Future Kids e m\u00e3e de 3 meninos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ESPA\u00c7O ABERTO GRUPO 1<\/strong><\/p>\n<p><strong>A LEITURA E A ESCRITA DO MUNDO DA CRIAN\u00c7A DE 2 \u00c0 6 ANOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto est\u00e1 estruturado em alguns t\u00f3picos que a meu ver abrangem o trabalho com a crian\u00e7a na faixa et\u00e1ria de 2 \u00e0 6 anos, tendo foco central a leitura e a escrita do mundo.<\/p>\n<p><strong><em>O que \u00e9 leitura e escrita do mundo para a crian\u00e7a.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ler, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ler palavras e, escrever, n\u00e3o \u00e9 escrever palavras. H\u00e1 v\u00e1rios tipos de instrumentos de leitura e escrita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crian\u00e7a j\u00e1 l\u00ea de uma forma ampla, o mundo, desde que nasce, atrav\u00e9s de ind\u00edcios e depois de s\u00edmbolos. Atrav\u00e9s do cheiro uma crian\u00e7a sabe onde est\u00e1 a m\u00e3e (ind\u00edcio); \u201cse carrego a lancheira ao sair de casa\u201d, \u00e9 hora de escola; \u201cse ponho o casaco\u201d, est\u00e1 na hora de ir embora; \u201cse vejo minha m\u00e3e com uma cara brava\u201d, \u00e9 n\u00e3o. V\u00e1rios tipos de leitura de ind\u00edcios como estes, v\u00e3o sendo exercitados pela crian\u00e7a desde um ano e meio, mais ou menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois a crian\u00e7a passa para um novo patamar de leitura utilizando al\u00e9m dos ind\u00edcios, os s\u00edmbolos. Numa marca conhecida, ela j\u00e1 detecta mensagens simb\u00f3licas reconhecendo seu significado. Por exemplo, o s\u00edmbolo da lancheira representando hora do lanche. Este \u00e9 o caminho para se chegar \u00e0 leitura da palavra que j\u00e1 \u00e9 um signo, ou seja, uma marca arbitr\u00e1ria constru\u00edda historicamente. Por exemplo, a leitura e a escrita da palavra \u201ccasa\u201d s\u00e3o iguais para todas as pessoas. O signo aparece historicamente com a fun\u00e7\u00e3o primordial de comunica\u00e7\u00e3o, da\u00ed seu car\u00e1ter social e coletivo.<\/p>\n<p>Assim, a crian\u00e7a, j\u00e1 tem bastante conte\u00fado armazenado para a leitura e a escrita, antes de entrar na escola.<\/p>\n<p><strong><em>Concep\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Nesta concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, ler e escrever s\u00e3o atos de pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ler, aqui, \u00e9 visto como ato de pensar uma mensagem para decifr\u00e1-la. Numa outra, ler \u00e9 decorar, copiar mecanicamente. Nesta concep\u00e7\u00e3o, ler \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o interna, um ato de questionamento para compreens\u00e3o da realidade, pois, os sujeitos crian\u00e7a e professor conhecem e aprendem numa a\u00e7\u00e3o de pensamento que \u00e9 a interna. Ningu\u00e9m pode fazer isso por eles. Decifrar aqui \u00e9 um entendimento da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o que \u00e9 escrever dentro desta concep\u00e7\u00e3o? Escrever \u00e9 marcar, registrar a mensagem pensada, decifrada e transformada. \u00c9 um registro do pensamento, da hist\u00f3ria, tanto a n\u00edvel individual como de grupo. Quando falamos de sujeito, falamos tamb\u00e9m do processo de constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, j\u00e1 que o homem \u00e9 um ser \u201cgeneticamente\u201d social (Wallon). A escrita \u00e9 um prolongamento, um apoio da mem\u00f3ria. A escrita me permite voltar para poder pensar melhor, pois \u00e9 pensamento registrado. Nunca leitura e escrita s\u00e3o iguais ao longo do tempo, pois o sujeito se transforma e, a cada momento, ele disp\u00f5e de esquemas diferentes de compreens\u00e3o da realidade que lhe permite uma leitura diferente do mundo.<\/p>\n<p><em><strong>Instrumentos de Leitura e Escrita do mundo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por onde a crian\u00e7a l\u00ea e escreve? Neste sentido amplo em que estamos falando, a crian\u00e7a l\u00ea e escreve atrav\u00e9s das linguagens corporal, musical, pl\u00e1stica e gr\u00e1fica, onde a palavra se insere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crian\u00e7a j\u00e1 exercita a leitura e a escrita simb\u00f3lica do mundo, atrav\u00e9s das linguagens simb\u00f3licas, antes da leitura da palavra. \u00c9 assim que ela tece a evolu\u00e7\u00e3o do ind\u00edcio, do s\u00edmbolo, at\u00e9 construir o signo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os instrumentos fundamentais desta constru\u00e7\u00e3o da leitura e da escrita s\u00e3o: imita\u00e7\u00e3o, imagens mentais, desenho, jogo e, principalmente, a linguagem. (Piaget, Vygotsky).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 atrav\u00e9s desses instrumentos que a crian\u00e7a pensa, conhece e elabora suas leituras e escritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 justamente atrav\u00e9s desses instrumentos que a pr\u00e9-escola, a meu ver, tem o eixo fundamental do trabalho: a constru\u00e7\u00e3o da capacidade de representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O que \u00e9 o Desenho<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 registro. \u00c9 a primeira marca do pensamento da crian\u00e7a. \u00c9 a sua primeira escrita. O desenho registra o que a crian\u00e7a pensa, conhece e quer conhecer, pois ainda n\u00e3o sabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um ato de pensamento sendo uma constru\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos internos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 podemos pensar a realidade atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos, ou seja, atrav\u00e9s do processo de representa\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o os s\u00edmbolos e signos que, representando o real, me permitem pensar. (Vygotsky)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenho \u00e9 um \u201ctexto\u201d. Um texto n\u00e3o se comp\u00f5e s\u00f3 de palavras. Ele ocorre tamb\u00e9m ao n\u00edvel do desenho e do jogo, pois significa retrato da a\u00e7\u00e3o pensada (retrato atrav\u00e9s do gesto no ar, da marca no papel ou da palavra).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe ao educador discutir o texto. Pois, nesta concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, a fun\u00e7\u00e3o do educador \u00e9 aprofundar o pensamento, a reflex\u00e3o do sujeito atrav\u00e9s da interven\u00e7\u00e3o que ilumina os pontos que necessitam de enriquecimento. Intervir, nesta concep\u00e7\u00e3o, \u00e9 ampliar o conhecimento que est\u00e1 por tr\u00e1s daquele j\u00e1 revelado pelo educando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ato de educar, nesta concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um ato de conhecer, aprender e ensinar permanentemente. Conhecer, aprender e ensinar n\u00e3o s\u00e3o dicotomizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se d\u00e1 \u00e0 interven\u00e7\u00e3o do educador frente ao texto da crian\u00e7a? Primeiro ele precisa saber em que hip\u00f3teses evolutivas, no processo de constru\u00e7\u00e3o, a crian\u00e7a est\u00e1. Que fases ela passa. Que coisas ela elabora. Pois, se o educador n\u00e3o tem esse conhecimento, ele n\u00e3o sabe como intervir. Intervir \u00e9 clarear para aprofundar a reflex\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo educador, que faz uma interven\u00e7\u00e3o nesse sentido, \u00e9 sempre diretivo, pois tem uma dire\u00e7\u00e3o a perseguir, uma meta onde quer chegar. O importante \u00e9 que a interven\u00e7\u00e3o e a diretividade n\u00e3o sejam autorit\u00e1rias, mas sim baseadas na autoridade do conhecimento que o educador tem das hip\u00f3teses do sujeito educando e da sua a\u00e7\u00e3o instrumentalizadora. Em qualquer outra concep\u00e7\u00e3o a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 autorit\u00e1ria, pois, o educador determina o que dar sem levar em conta o educando, ignorando que s\u00f3 se aprende a partir daquilo que se sabe, ou seja, que aprender \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o interna do sujeito.<\/p>\n<p><em><strong>Como organizar a discuss\u00e3o do texto, no caso, o desenho?<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se desenho \u00e9 pensamento, nada melhor do que desenhar para trabalhar o pensamento e a m\u00e3o todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-se necess\u00e1rio um planejamento de como acompanhar e instrumentalizar esse trabalho com as crian\u00e7as.\u00a0 H\u00e1 v\u00e1rias maneiras. Em fila, na roda, algumas crian\u00e7as por dia, no caso de classes numerosas, etc. Mas, \u00e9 fundamental a a\u00e7\u00e3o do professor fazendo a leitura e interven\u00e7\u00e3o junto \u00e0s crian\u00e7as, assumindo sua fun\u00e7\u00e3o de autoridade sustentadora do processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento das crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostaria de levantar a quest\u00e3o do \u201cdesenho livre\u201d. Uma atividade comum nas escolas hoje em dia e que \u00e9 fruto de uma interpreta\u00e7\u00e3o superficial da necessidade do respeito \u201ca verdade\u201d, a express\u00e3o da crian\u00e7a. O \u201cdesenho livre\u201d \u00e9 t\u00e3o autorit\u00e1rio quanto a imagem impressa, que castra o pensamento da crian\u00e7a, pois abandonar o acompanhamento \u00e9 privar a crian\u00e7a da apropria\u00e7\u00e3o de seu processo para aprofund\u00e1-lo e chegar \u00e0 conquista do produto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(*) O sujeito \u00e9 uma totalidade cognitiva, afetiva e social. (Wallon)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o desenho \u00e9 pensamento, pensamento que deve ser ampliado e instrumentalizado pela interven\u00e7\u00e3o do professor, o que significa desenho mimeografado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenho impresso \u00e9 um exemplo de uma interven\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria do professor, pois, impede o pensamento da crian\u00e7a. Ele \u00e9 uma c\u00f3pia imposta que inibe a constru\u00e7\u00e3o do texto da crian\u00e7a n\u00e3o levando em conta a hip\u00f3tese que a crian\u00e7a est\u00e1 vivendo. A crian\u00e7a passa a pensar: \u201cEu n\u00e3o sei desenhar\u201d e, como desenhar e pensar caminham juntos, ela acaba achando \u201cque n\u00e3o sabe pensar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o professor fica impedido de fazer a leitura atrav\u00e9s do desenho, registro de pensamento, da hip\u00f3tese em que a crian\u00e7a est\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o a esta quest\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o espontaneista\u00a0 do professor (que tamb\u00e9m \u00e9 autorit\u00e1ria, como vimos na quest\u00e3o do desenho livre), gostaria de esclarecer um ponto, que, acredito, tem confundido a a\u00e7\u00e3o do professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A meu ver, \u00e9 preciso distinguir a diferen\u00e7a entre interesse, vontade e necessidade, que v\u00eam envolvidos pelo desejo. \u00c0s vezes querendo respeitar a crian\u00e7a, acabamos confundindo a vontade (que precisa ser educada), com o interesse e a necessidade que precisam ser alicer\u00e7adas pelo professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ler o interesse genu\u00edno da crian\u00e7a \u00e9 aprendizado permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vontade \u00e9 o que emerge primeiramente no comportamento da crian\u00e7a, pois \u00e9 o desejo ainda em embri\u00e3o: \u201ceu quero\u201d, \u201ceu gosto\u201d. O educador precisa ler e diagnosticar, se \u00e9 hora ou n\u00e3o, para que esta vontade seja satisfeita.<\/p>\n<p><em>Texto escrito por Madalena Freire<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: normal;\"><strong>ESPA\u00c7O ABERTO GRUPO 2<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: normal;\"><strong>ALFABETIZA\u00c7\u00c3O E LETRAMENTO NA EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: normal;\"><em>Magda Soares<\/em> &#8211; Revista P\u00e1tio Educa\u00e7\u00e3o Infantil &#8211; Ano VII &#8211; <strong>N\u00ba 20<\/strong> &#8211; Oralidade, alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento &#8211; Jul\/Out, 2009 \u00a0ArtMed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ALFABETIZA\u00c7\u00c3O NA EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL<\/strong><br \/>\nCuriosamente, atividades bastante comuns na educa\u00e7\u00e3o infantil &#8211; os rabiscos, os desenhos, os jogos, as brincadeiras de faz-de-conta &#8211; n\u00e3o s\u00e3o consideradas atividades de alfabetiza\u00e7\u00e3o, quando representam, na verdade, a fase inicial da aprendizagem da l\u00edngua escrita, constituindo, segundo Vygotsky, a pr\u00e9-hist\u00f3ria da linguagem escrita: quando atribui a rabiscos e desenhos ou a objetos a fun\u00e7\u00e3o de signos, a crian\u00e7a est\u00e1 descobrindo sistemas de representa\u00e7\u00e3o, precursores e facilitadores da compreens\u00e3o do sistema de representa\u00e7\u00e3o que \u00e9 a l\u00edngua escrita.<br \/>\nA viv\u00eancia de representa\u00e7\u00f5es semi\u00f3ticas, n\u00e3o propriamente lingu\u00edsticas, s\u00e3o um primeiro passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da cadeia sonora da fala pela forma gr\u00e1fica da escrita. Uma lata de sardinha que se torna um signo de representa\u00e7\u00e3o de um trem \u00e9, na interpreta\u00e7\u00e3o de Vygotsky (1984), uma opera\u00e7\u00e3o cognitiva precursora e preparat\u00f3ria do mais complexo e abstrato processo de atribui\u00e7\u00e3o de signos aos sons da fala, ou seja, do processo de conceitualiza\u00e7\u00e3o da escrita como um sistema de representa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEssa fase considerada a pr\u00e9-hist\u00f3ria da escrita explica por que a crian\u00e7a pequena sup\u00f5e estar escrevendo quando est\u00e1 desenhando ou quando est\u00e1 fazendo rabiscos e garatujas, nesse caso muitas vezes tentando imitar a escrita cursiva dos adultos, o que j\u00e1 representa um avan\u00e7o em seu processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; um reconhecimento da natureza arbitr\u00e1ria da escrita. \u00c9 o primeiro n\u00edvel, entre os n\u00edveis por que passam as crian\u00e7as em seu processo de conceitualiza\u00e7\u00e3o do sistema alfab\u00e9tico, identificados t\u00e3o claramente por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (2001): n\u00edveis ic\u00f4nico e da garatuja, pr\u00e9-sil\u00e1bico, sil\u00e1bico, sil\u00e1bico-alfab\u00e9tico e alfab\u00e9tico.<br \/>\nQuase todos esses n\u00edveis, se n\u00e3o todos, ocorrem, ou podem ocorrer, na educa\u00e7\u00e3o infantil: lembremos que Ferreiro e Teberosky identificaram os n\u00edveis investigando comportamentos de crian\u00e7as de 4, 5 e 6 anos. Como comprovam in\u00fameras pesquisas e observa\u00e7\u00f5es em institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o infantil, as crian\u00e7as de 4 e 5 anos, com raras exce\u00e7\u00f5es, evoluem rapidamente em dire\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel alfab\u00e9tico se s\u00e3o orientadas e incentivadas por meio de atividades adequadas e sempre de natureza l\u00fadica, caracter\u00edstica necess\u00e1ria na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as pequenas: escrita espont\u00e2nea, observa\u00e7\u00e3o da escrita do adulto, familiariza\u00e7\u00e3o com as letras do alfabeto, contato visual frequente com a escrita de palavras conhecidas, sempre em um ambiente no qual estejam rodeadas de escrita com diferentes fun\u00e7\u00f5es: calend\u00e1rio, lista de chamada, rotina do dia, r\u00f3tulos de caixas de material did\u00e1tico, etc.<br \/>\nMesmo atividades muito presentes na educa\u00e7\u00e3o infantil, via de regra consideradas apenas por sua natureza l\u00fadica &#8211; a repeti\u00e7\u00e3o de parlendas, a brincadeira com frases e versos trava-l\u00ednguas, as cantigas de roda, a memoriza\u00e7\u00e3o de poemas -, s\u00e3o passos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o porque, se forem orientadas nesse sentido, desenvolver\u00e3o a consci\u00eancia fonol\u00f3gica, um aspecto fundamental para a compreens\u00e3o do princ\u00edpio alfab\u00e9tico: se o sistema alfab\u00e9tico representa os sons da l\u00edngua, \u00e9 necess\u00e1rio que a crian\u00e7a torne-se capaz de voltar sua aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas para o significado do que fala ou ouve, mas tamb\u00e9m para a cadeia sonora com que se expressa oralmente ou que recebe oralmente de quem com ela fala; que perceba, na frase falada ou ouvida, os sons que delimitam as palavras, em cada palavra, os sons das s\u00edlabas que constituem cada palavra, em cada s\u00edlaba, os sons e que s\u00e3o feitas.<br \/>\nV\u00e1rias pesquisas comprovam a correla\u00e7\u00e3o entre consci\u00eancia fonol\u00f3gica e progresso na aprendizagem da leitura e da escrita. Portanto, jogos voltados para o desenvolvimento da consci\u00eancia fonol\u00f3gica, se realizados sistematicamente na educa\u00e7\u00e3o infantil, criam condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias e, inclusive, necess\u00e1rias para a apropria\u00e7\u00e3o do sistema alfab\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Letramento na educa\u00e7\u00e3o infantil<\/strong><br \/>\nA leitura frequente de hist\u00f3rias para crian\u00e7as \u00e9, sem d\u00favida, a principal e indispens\u00e1vel atividade de letramento na educa\u00e7\u00e3o infantil. Se adequadamente desenvolvida, essa atividade conduz a crian\u00e7a, desde muito pequena, a conhecimentos e habilidades fundamentais para a sua plena inser\u00e7\u00e3o no mundo da escrita.<br \/>\nPor um lado, esta \u00e9 uma atividade que leva a crian\u00e7a a se familiarizar com a materialidade do texto escrito: conhecer o objeto livro ou revista, descobrir que as marcas na p\u00e1gina &#8211; sequ\u00eancias de letras &#8211; escondem significados, que textos \u00e9 que s\u00e3o &#8220;para ler&#8221;, n\u00e3o as ilustra\u00e7\u00f5es, que as p\u00e1ginas s\u00e3o folheadas da direita para a esquerda, que os textos s\u00e3o lidos da esquerda para a direita e de cima para baixo, que os livros t\u00eam autor, ilustrador, editor, t\u00eam capa, lombada&#8230; Por outro lado, a leitura de hist\u00f3rias \u00e9 uma atividade que enriquece o vocabul\u00e1rio da crian\u00e7a e proporciona o desenvolvimento de habilidades de compreens\u00e3o de textos escritos, de infer\u00eancia, de avalia\u00e7\u00e3o e de estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es entre fatos. Tais habilidades ser\u00e3o transferidas posteriormente para a leitura independente, quando a crian\u00e7a tornar-se apta a realiz\u00e1-la.<br \/>\nNaturalmente, para que a leitura oral de hist\u00f3rias atinja esses objetivos, n\u00e3o basta que a hist\u00f3ria seja lida. \u00c9 necess\u00e1rio que o objeto portador da hist\u00f3ria seja analisado com as crian\u00e7as e sejam desenvolvidas estrat\u00e9gias de leitura, tais como: que a leitura seja precedida de perguntas de previs\u00e3o a partir do t\u00edtulo e das ilustra\u00e7\u00f5es; que seja propositadamente interrompida, em pontos pr\u00e9-escolhidos, por perguntas de compreens\u00e3o e de infer\u00eancia; que seja acompanhada, ao t\u00e9rmino, por confronto com as previs\u00f5es inicialmente feitas, por meio da avalia\u00e7\u00e3o de fatos, personagens, seus comportamentos e suas atitudes.<br \/>\nOutros g\u00eaneros de textos tamb\u00e9m devem ser objeto de leitura do adulto para as crian\u00e7as: textos informativos (que podem ser lidos em busca de conhecimentos que as crian\u00e7as revelem n\u00e3o ter, mas desejam adquirir), textos injuntivos (que orientam a pr\u00e1tica de jogos e os comportamentos), textos publicit\u00e1rios, textos jornal\u00edsticos, hist\u00f3rias em quadrinhos, etc. Ou seja, na educa\u00e7\u00e3o infantil, a crian\u00e7a pode e deve ser introduzida a diferentes g\u00eaneros, diferentes portadores de textos. Al\u00e9m disso, pode-se lev\u00e1-la a identificar o objetivo de cada g\u00eanero, o leitor a que se destina, o modo espec\u00edfico de ler cada g\u00eanero.<br \/>\nDo mesmo modo, atividades de letramento com a escrita podem e devem ter presen\u00e7a frequente na educa\u00e7\u00e3o infantil. A todo momento, surgem oportunidades de registrar algo como apoio \u00e0 mem\u00f3ria, de ditar para o adulto uma carta que se quer enviar a algu\u00e9m, de construir um cartaz sobre um trabalho desenvolvido. Enfim, s\u00e3o in\u00fameras as situa\u00e7\u00f5es que podem ser aproveitadas para que as crian\u00e7as percebam a fun\u00e7\u00e3o da escrita para fins diversos e a utilizem em pr\u00e1ticas de intera\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Integrando alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento<\/strong><br \/>\nA discuss\u00e3o sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento em dois t\u00f3picos, como feito neste artigo, pode suscitar a ideia de que s\u00e3o componentes da introdu\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a no mundo da escrita a serem desenvolvidos separadamente. Contudo, n\u00e3o deve ser assim. Embora as atividades de alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento diferenciem-se tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opera\u00e7\u00f5es cognitivas por elas demandadas quanto em rela\u00e7\u00e3o aos procedimentos metodol\u00f3gicos e did\u00e1ticos que as orientam, essas atividades devem desenvolver-se de forma integrada. Caso sejam desenvolvidas de forma dissociada, a crian\u00e7a certamente ter\u00e1 uma vis\u00e3o parcial e, portanto, distorcida do mundo da escrita.<br \/>\nA base ser\u00e1 sempre o letramento, j\u00e1 que leitura e escrita s\u00e3o, fundamentalmente, meios de comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o, enquanto a alfabetiza\u00e7\u00e3o deve ser vista pela crian\u00e7a como instrumento para que possa envolver-se nas pr\u00e1ticas e usos da l\u00edngua escrita. Assim, a hist\u00f3ria lida pode gerar v\u00e1rias atividades de escrita, como pode provocar uma curiosidade que leve \u00e0 busca de informa\u00e7\u00f5es em outras fontes; frases ou palavras da hist\u00f3ria podem vir a ser objeto de atividades de alfabetiza\u00e7\u00e3o; poemas podem levar \u00e0 consci\u00eancia de rimas e alitera\u00e7\u00f5es. O essencial \u00e9 que as crian\u00e7as estejam imersas em um contexto letrado &#8211; o que \u00e9 uma outra designa\u00e7\u00e3o para o que tamb\u00e9m se costuma chamar de ambiente alfabetizador &#8211; e que nesse contexto sejam aproveitadas, de maneira planejada e sistem\u00e1tica, todas as oportunidades para dar continuidade aos processos de alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento que elas j\u00e1 vinham vivenciando antes de chegar \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p><em>Magda Soares \u00e9 doutora em Educa\u00e7\u00e3o e professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFMG:\u00a0<\/em><em>mbecker.soares@terra.com.br<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistaescola.abril.com.br\/educacao-infantil\/4-a-6-anos\/principio-nome-422885.shtml\">http:\/\/revistaescola.abril.com.br\/educacao-infantil\/4-a-6-anos\/principio-nome-422885.shtml<\/a><\/p>\n<p><strong>NO PRINC\u00cdPIO, \u00c9 O NOME<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jogos e listas que usam como base o nome pr\u00f3prio s\u00e3o uma \u00f3tima estrat\u00e9gia para iniciar a alfabetiza\u00e7\u00e3o na pr\u00e9-escola<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A turma de 4 anos da EM Presidente M\u00e9dici, em Itaet\u00ea, a 407 quil\u00f4metros de Salvador, est\u00e1 dando os primeiros passos no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. O trabalho, apoiado nas descobertas da psicog\u00eanese (o estudo da origem e do desenvolvimento da escrita), usa o nome pr\u00f3prio como ponto de refer\u00eancia para que as crian\u00e7as confrontem suas id\u00e9ias sobre a l\u00edngua escrita. Al\u00e9m de identificar as pessoas e ser a palavra mais conhecida pelos pequenos, o nome \u00e9 um modelo que fornece informa\u00e7\u00f5es a crian\u00e7a sobre as letras e sua quantidade, variedade, posi\u00e7\u00e3o e ordem, diz a educadora argentina Ana Teberosky no livro Psicopedagogia da Linguagem Escrita. Dominar o pr\u00f3prio nome, o dos colegas e o dos familiares \u00e9 abrir caminho para conhecer o alfabeto completo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma das atividades mais eficientes \u00e9 o uso de listas. Mas, para que elas contribuam para o aprendizado, \u00e9 preciso que levem as crian\u00e7as a comparar e relacionar a escrita de seu nome com a dos colegas. H\u00e1 v\u00e1rias formas desafiadoras de fazer isso: procurar o pr\u00f3prio nome na hora da chamada, encontrar os aniversariantes do m\u00eas, separar nomes de meninos e meninas. Em Itaet\u00ea, a op\u00e7\u00e3o da professora Isana da Silva Landulfo foi desenvolver uma atividade de leitura e escrita de nomes. A tarefa, que come\u00e7a com a leitura do nome de um amigo, termina com algumas crian\u00e7as escrevendo o pr\u00f3prio nome sem a ajuda de modelos. Al\u00e9m da orienta\u00e7\u00e3o da professora, os pequenos contam com um alfabeto acima do quadro, letras m\u00f3veis e fichas com os nomes completos.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<p><strong>ESPA\u00c7O ABERTO GRUPO 3<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">O QUE \u00c9 LETRAMENTO?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Letramento n\u00e3o \u00e9 um gancho<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">em que se pendura cada som enunciado,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">n\u00e3o \u00e9 treinamento repetitivo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">de uma habilidade,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">nem um martelo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">quebrando blocos de gram\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Letramento \u00e9 divers\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00e9 \u00a0leitura \u00e0 luz de vela<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ou l\u00e1 fora, \u00e0 luz do sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">S\u00e3o not\u00edcias sobre o presidente<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O tempo, os artistas da TV<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">e mesmo M\u00f4nica e Cebolinha<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">nos jornais de domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00c9 uma receita de biscoito,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">uma lista de compras, recados colados na geladeira,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">um bilhete de amor,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">telegramas de parab\u00e9ns e cartas<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">de velhos amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00c9 viajar para pa\u00edses desconhecidos,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">sem deixar sua cama,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00e9 rir e chorar<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">com personagens, her\u00f3is e grandes amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00c9 um atlas do mundo,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">sinais de tr\u00e2nsito, ca\u00e7as ao tesouro,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">manuais, instru\u00e7\u00f5es, guias,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">e orienta\u00e7\u00f5es em bulas de rem\u00e9dios,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">para que voc\u00ea n\u00e3o fique perdido.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Letramento \u00e9, sobretudo,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">um mapa do cora\u00e7\u00e3o do homem,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">um mapa de quem voc\u00ea \u00e9,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">e de tudo que voc\u00ea pode ser.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas de abril, tivemos os Espa\u00e7os Abertos dos Grupos de Educa\u00e7\u00e3o Infantil.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8186,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,21],"tags":[32,108,42],"class_list":["post-8179","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao-infantil","category-reuniao-de-pais","tag-ensino","tag-proposta-pedagogica","tag-rotina-escolar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8179"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8179\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacocatavento.com.br\/novosite\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}